Esse sistema utiliza ferramentas acessíveis à comunidade de Maragogipinho e pode ser
estendido a outras comunidades que desenvolvam trabalho semelhante.
Propõe que a própria comunidade de oleiros de Maragogipinho confeccione as suas embalagens.
As embalagens
Produzidas com técnicas de cestaria através de gabaritos, que são feitos com materiais
reaproveitados e de baixo custo, as embalagens são padronizadas e cria-se uma linha de produção.
Cada parte pode ser feita separadamente e por pessoas diferentes. Enquanto o corpo da embalagem é feito em um gabarito, outro artesão pode fazer a tampa ou o fundo, agrupando todas as partes no final, montando assim as embalagens.
Os próprios gabaritos foram pensados para que a comunidade possa produzi-los e adaptá-los aos seus produtos.
A escolha dos matérias para confecção dos gabaritos e das embalagens foi motivada,
principalmente, pela facilidade de implantação do projeto na comunidade de Maragogipinho, já que se trata de uma comunidade com poucos recursos financeiros e também pela possibilidade de aproveitamento dos recursos naturais sem agredir o meio ambiente.
As embalagens têm o formato cilíndrico e são produzidas através de técnicas de trançado,
utilizadas na confecção de cestaria.
Esse formato foi adotado por melhor adaptação às formas das peças em cerâmica, que são em sua maioria arredondadas.
As embalagens são constituídas de quatro partes:
Corpo;
Fundo;
Tampa;
Sistema de fechamento/alças
O corpo da embalagem é feito com fibras de bambu e cana-brava. Os esteios de bambu
oferecem resistência e as fibras de cana-brava flexibilidade.
O fundo e a tampa têm as mesmas medidas e são feitos utilizando-se o mesmo gabarito. São feitos com fibra de cana-brava.
O sistema de fechamento e alças é feito com corda de palha da costa, que é uma fibra
maleável e resistente.
Para melhor acondicionamento das peças no interior das embalagens, que por serem
artesanais apresentam irregularidades em suas formas, palha e capins variados são utilizados.
Uma observação importante é todas as fibras utilizadas nesse projeto podem ser substituídas por outras que apresentam as mesmas características. Isso facilita e amplia a possibilidade de implantação do SIPROAR, que permite ser adaptado de acordo com a oferta local de material.
Além da proteção das peças em cerâmica durante o transporte, as embalagens podem chegar ao consumidor final, aumentando a sua vida útil e prorrogando o seu descarte.
Os gabaritos para confecção das embalagens
Para confecção das embalagens foram desenvolvidos gabaritos, que além de padronizar a produção tem também o objetivo de facilitar o trabalho, simplificando e auxiliando o trançado.
Os gabaritos são feitos com placas de compensado de madeira, cabo de vassoura, esferas de vidro (bolas de gude), pregos e cola.
Ferramentas para confecção dos gabaritos: serra, furadeira, martelo e lixa.
Gabarito para o corpo da embalagem
A fim de facilitar o trançado, foi desenvolvido um molde que proporciona a dobra da fibra. As fibras devem ficar submersas em água limpa durante, pelo menos, trinta minutos e então são colocadas no molde. Depois de mais trinta minutos as fibras tomam o formato do gabarito estando prontas para a continuação do trançado. Esse gabarito também foi feito com placas de compensado de madeira.
Gabaritos para tampa e fundo da embalagem
Três placas de compensado, com espessura de 15mm de foram agrupadas. Nas duas primeiras foram feitos furos que irão delimitar o trançado.
Um sistema de rolamento foi adaptado com esferas de vidro para proporcionar o deslizamento do gabarito, dinamizando a produção.



